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Entenda como o novo limite do rotativo do cartão pode alterar sua dívida

Descubra como opera o novo limite do rotativo do cartão, quem sai ganhando, as alterações na legislação e dicas para impedir que seu débito cresça.

Mudanças nos juros do rotativo: saiba como proteger seu bolso agora

(Imagem: divulgação/reprodução por I.A)

Por muitos anos, o crédito rotativo foi reconhecido como uma das formas mais caras de crédito no sistema financeiro brasileiro.

Era suficiente pagar apenas uma parte da fatura do cartão para que a dívida aumentasse rapidamente, devido aos altos juros e encargos aplicados.

Mesmo assim, é fundamental quitar a dívida o quanto antes, pois o rotativo permanece entre as linhas de crédito mais onerosas disponíveis no mercado.

Este artigo explica como funciona o novo limite do rotativo, quem se beneficia de fato, as principais alterações trazidas e formas de evitar que o cartão prejudique suas finanças.

Entenda o que é o novo limite para o rotativo do cartão

O chamado novo teto do rotativo do cartão é uma restrição estabelecida pela Lei nº 14.690/2023, que visa evitar que os consumidores acabem pagando juros e encargos financeiros superiores ao valor original da dívida.

Antes dessa alteração, não havia um limite legal para o aumento dessas cobranças. Em casos de atraso prolongado, era comum que a dívida se multiplicasse várias vezes em relação ao valor inicial.

Com a nova norma, o total de juros e encargos financeiros acumulados não pode ultrapassar 100% do valor principal da dívida.

Por exemplo, se o consumidor deixou de pagar R$ 800, o máximo que poderá ser cobrado em juros e encargos é R$ 800, fazendo com que o valor total devido não ultrapasse R$ 1.600, sem considerar outras possíveis obrigações legais.

Vale lembrar que o teto não implica em redução automática da taxa de juros mensal cobrada.

A lei estabelece um limite para o total acumulado de encargos durante toda a duração da dívida.

Por isso, quem continua no crédito rotativo ainda arca com juros altos e deve buscar opções como pagar a dívida antecipadamente, negociar com o banco ou aproveitar a portabilidade do saldo devedor quando possível.

Como o limite de juros funciona na prática?

O novo limite de juros representa uma mudança significativa para quem utiliza o rotativo ou parcela a fatura do cartão de crédito.

Antes da nova lei, uma dívida podia crescer sem parar devido à incidência de juros, multas e outros encargos financeiros. Agora, o total desses encargos está limitado a 100% do valor inicial da dívida.

Na prática, isso quer dizer que:

  • uma dívida de R$ 500 poderá gerar, no máximo, R$ 500 em juros e encargos;
  • uma dívida de R$ 2.000 poderá acumular, no máximo, R$ 2.000 em juros e encargos;
  • após alcançar esse limite, não poderão ser cobrados novos juros ou encargos financeiros sobre essa dívida, conforme as normas do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional.

Vale lembrar que esse teto não impede a cobrança de juros altos nos primeiros meses. Conforme a taxa contratada, o consumidor pode atingir rapidamente o limite estabelecido pela lei.

Quais as mudanças trazidas pela Lei nº 14.690?

A Lei nº 14.690/2023 foi criada com o propósito inicial de implementar o programa Desenrola Brasil, mas também trouxe novas normas para o crédito rotativo e o parcelamento das faturas de cartão de crédito.

Seu principal objetivo é combater o superendividamento das famílias e aumentar a transparência no mercado de crédito.

Como funcionava antes

Até o começo de 2024:

  • não existia um teto legal para juros e encargos;
  • a dívida podia aumentar continuamente durante meses ou anos;
  • muitos consumidores acabavam pagando diversas vezes o valor originalmente devido;
  • a falta de informação dificultava a comparação entre instituições financeiras.

Como ficaram as regras agora

Com a nova regra em vigor:

  • os juros e encargos não podem ultrapassar 100% do valor original da dívida;
  • o Banco Central monitora os dados enviados pelos bancos e financeiras;
  • as instituições financeiras precisam informar com mais clareza os valores cobrados nas faturas;
  • foi criada a portabilidade do saldo devedor do cartão, possibilitando buscar propostas melhores em outras instituições.

Essas ações têm como objetivo estimular a competição entre os bancos e facilitar a renegociação das dívidas.

Quem sai ganhando com as mudanças?

Embora a nova regra proteja todos os usuários de cartão de crédito, certos grupos acabam sentindo seus efeitos de forma mais intensa.

Os principais beneficiados incluem:

  • consumidores que normalmente pagam só o valor mínimo da fatura;
  • pessoas que enfrentam atrasos por dificuldades financeiras;
  • famílias que estão superendividadas;
  • clientes que frequentemente parcelam a fatura com juros.

Para esses grupos, o novo limite diminui a chance de a dívida aumentar sem controle, garantindo mais clareza sobre o teto máximo de juros e encargos cobrados.

Quem ainda paga juros altos?

Mesmo com o limite, o crédito rotativo ainda figura entre as formas mais caras de crédito no Brasil.

Isso ocorre porque:

  • as taxas mensais continuam altas;
  • o teto limita o valor total, mas não altera a taxa aplicada;
  • quem demora para negociar pode rapidamente alcançar o limite máximo.

Ou seja, a nova regra evita que a dívida cresça sem controle, mas não faz do rotativo uma alternativa econômica para financiamento.

Profissionais de educação financeira indicam que o crédito rotativo deve ser usado apenas em casos excepcionais e pelo menor período possível.

Quando houver dificuldade para pagar a fatura, é recomendável negociar diretamente com o banco ou buscar opções de crédito com juros mais baixos.

Será que o teto acabou com os juros?

Não. Essa é uma dúvida comum entre os consumidores e também um dos maiores enganos que aparecem em buscas no Google.

O que realmente mudou foi o limite máximo para os juros e encargos acumulados.

A lei não estabelece uma taxa fixa mensal e também não impede que os bancos cobrem juros altos, desde que respeitem os limites definidos.

É mais vantajoso parcelar ou optar pelo crédito rotativo?

Para grande parte dos consumidores, parcelar a fatura costuma ser uma opção mais interessante do que continuar no crédito rotativo, desde que as condições propostas sejam avaliadas com cuidado.

O crédito rotativo funciona automaticamente: se o cliente paga apenas uma parte da fatura, o valor restante é transferido para essa modalidade. Segundo as regras do Banco Central, esse período é limitado.

Depois desse prazo, o banco precisa oferecer outra forma de pagamento, como o parcelamento da fatura.

Embora essa alternativa também cobre juros, ela tende a ser mais previsível e com condições melhores que o rotativo. As taxas variam conforme o perfil do cliente e as políticas de cada instituição financeira.

Comparação entre as opções disponíveis

Resumo: caso não seja possível pagar o valor total da fatura, optar pelo parcelamento ou buscar outras opções de crédito geralmente é mais vantajoso que continuar no rotativo.

Dicas para diminuir sua dívida com mais rapidez

O novo limite de juros impede que a dívida cresça sem controle, mas não elimina os custos associados ao crédito rotativo.

Por isso, quanto antes a dívida for negociada ou paga, menor será o prejuízo financeiro.

Profissionais de finanças pessoais indicam algumas táticas eficazes para lidar com a situação.

1. Suspenda temporariamente o uso do cartão

Manter o uso do cartão com dívidas em aberto complica o controle financeiro e pode fazer a dívida crescer ainda mais.

Se for possível, evite novas compras até que a situação esteja regularizada.

2. Negocie diretamente com o banco

Boa parte dos bancos e financeiras disponibiliza:

  • parcelamentos personalizados;
  • redução da taxa de juros;
  • campanhas de renegociação;
  • descontos para pagamento à vista.

Na maioria dos casos, é suficiente contatar o banco pelo app ou pela central de atendimento.

3. Avalie a portabilidade da dívida

Uma inovação trazida pela nova regulamentação é a possibilidade de transferir o saldo devedor do cartão de crédito para outra instituição.

Isso possibilita que outra instituição financeira apresente ofertas com condições mais atrativas, tais como:

  • taxas de juros reduzidas;
  • prazo estendido;
  • parcelas menores.

Esse recurso tem o objetivo de estimular a competição entre os bancos e favorecer os consumidores.

4. Dê prioridade à quitação da dívida do cartão

De acordo com o Banco Central, o cartão de crédito permanece entre as formas de crédito com os custos financeiros mais altos.

Quando você tem várias dívidas, normalmente vale priorizar o pagamento da que cobra os juros mais altos.

5. Organize um orçamento realista

A renegociação só terá sucesso se estiver dentro das suas possibilidades financeiras.

Antes de aceitar novas parcelas:

  • calcule sua renda mensal disponível;
  • corte gastos que não são essenciais;
  • destine uma quantia mensal para abater a dívida.

Essa organização ajuda a diminuir as chances de você voltar a usar o crédito rotativo no futuro.

Análise do autor

Estabelecer um limite para os juros do crédito rotativo é um passo significativo para proteger os consumidores brasileiros.

Por muitos anos, diversas famílias ficaram presas em um ciclo de dívidas difícil de romper, onde um valor pequeno acabava se transformando em uma quantia muito maior que a original.

Entretanto, é essencial entender que a nova regra não faz do crédito rotativo uma opção econômica.

O limite evita que a dívida aumente sem controle, mas as taxas de juros ainda são altas.

Por isso, é importante que o consumidor veja essa mudança como uma forma de proteção, e não como um convite para usar o rotativo com maior frequência.

A melhor abordagem continua sendo a prevenção: manter as finanças organizadas, pagar a fatura toda sempre que possível e buscar negociar ao primeiro sinal de aperto financeiro.

Além disso, a possibilidade de portar o saldo devedor pode aumentar a competição entre bancos, beneficiando quem compara as alternativas antes de fechar um acordo.

Em um contexto onde a educação financeira ganha cada vez mais importância, compreender as novas regras é tão fundamental quanto aplicá-las no dia a dia.

Ter acesso a informações precisas segue sendo uma das melhores formas de evitar o superendividamento.

Redação | Especialista em Crédito
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Redação | Especialista em Crédito

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